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quarta-feira, 4 de abril de 2012

BATALHA



Eu comigo mesmo contra mim!

Até quando esta batalha perdurará?

E quando tudo isto tiver seu fim

O que eu farei com tal paradoxo?

Terei finalmente eu me vencido

Ou perdido para mim?

E dos lados envolvidos em tal disputa

Qual estará certo?

Há um lado certo?


Todo ato gera um não ato

E cada escolha carrega em si uma renúncia

Quantas vezes mais eu terei que escolher

Entre ser e não ser

Partir e não partir

Insistir e desistir?


Permanecerei nesta batalha

Até que, talvez, já sem forças

Eu finalmente entenda

Que as respostas,

Pelo menos as mais valiosas,

Estão por aí,

Esperando para serem encontradas

Muito mais perto do que eu

Sequer posso supor!


(Moisés Wesley)



domingo, 26 de fevereiro de 2012

Um Sonho Qualquer

 Essa noite sonhei com você. Estávamos na praia, nossos amigos, você e eu. Eu estava andando na areia junto com todos. Comia patinha de caranguejo. Você ajudava as pessoas a entrarem na água. É que sonhos não são como realidade e era preciso descer as pedras para entrar no mar. Fui até as pedras e você me deu a mão perguntando se eu queria ajuda. Sorri e, ao invés de segura-lo pela mão, pulei em seus braços entre risadas infinitas. Você, bobo, me agarrou sorridente e disse que agora estava ocupado, mas que era para eu espera-lo na areia. Me levou então para longe dali e disse que já voltava. Eu continuava sorrindo daquele jeito de sempre vendo você ir embora. Ao longe você virou pra mim e gritou para te esperar. Eu nunca respondia nada, estava sempre em silêncio com um sorriso comprido no rosto. Depois de um tempo você voltou, andou em minha direção e quando estávamos nos encontrando, eu acordei.
 Todo o sonho virou poeira e foi carregado para o mar pelo vento. Eu fiquei ali esticada na cama morrendo de sono e desejando voltar a dormir. Sonhos são malucos e nada tem haver com a realidade. Só queria dormir de novo e migrar para um sonho qualquer. Qualquer... qualquer? Bom, é. É, mas enquanto eu dizia isso, percebi que o sorriso comprido perdeu alguns centímetros e em seu lugar apareceu um curtinho, tímido, ligeiro. Senti o rosto esquentando e posso supor que estava corando. Foi só por alguns segundos. Algo rápido como aquelas pequenas ondas que somem na areia. Meu coração saiu do ritmo um pouquinho e, antes que eu pudesse perceber, continuei sonhando de olhos abertos. Você voltava para mim e percebendo que eu não estava mais ali, ficou calado e cabisbaixo sentado exatamente onde tínhamos nos separado. Você olhava o horizonte pensando em alguma coisa que eu não poderia nunca adivinhar. E então eu cheguei perto de você, segurei seu rosto em minhas mãos e... E ficamos naquele ponto em que o céu encontra o mar e os dois vão juntos até o infinito. Com em um sonho de verdade. Um sonho desses que a gente tem quando a noite está virando dia. Quando o desejo vai tomando forma de realidade.


Alanna Correia

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

PERSONALIDADE


Era uma vez uma pessoa desprovida de personalidade.
Um dia ela estava tão encapada com as idéias de outras pessoas.
Estava tão cheia de opinião dos outros e tão vazia de si mesma
Que quis fazer com os outros o que fizeram a ela.
Dizia a eles como cada um deveria ser,
Tentando viver sua personalidade na personalidade de outros!

Quem cuida da vida do próximo certamente acha que a vida é sua,
Sua personalidade se perdeu
E assim busca impô-la no rosto de outros!


(Moisés Wesley)

sábado, 5 de novembro de 2011

Segredos


Despedi-me com um beijo no rosto,
Mas na verdade o que eu queria fazer era mais do que isso.

Queria tocar-te os dedos e enlaçá-los aos meus
Queria tocar tua pele e encostá-la a minha com um abraço
Queria pegar teu coração e fazê-lo meu
Queria encostar teus lábios nos meus e sentir o gosto desse desejo...
Mas nada disso fiz.

Queria olhar em teus olhos e me ver dentro deles
Queria saber que sentias o mesmo frio na barriga que eu
Queria ver tuas mãos tremerem
Queria ouvir tua respiração lenta perto de meu ouvido
E o som da sua voz dizendo que também sentia o mesmo.
Mas nada disso aconteceu.

O que aconteceu foi uma despedida de amigos
Um beijo de amigos
Em uma noite de amigos.
Eu te olhei nos olhos e não tive coragem de fazer, nem dizer
Nada daquilo que eu havia ensaiado,
que eu havia desejado tanto.
Apenas fechei os olhos, deixei-lhe um beijo no rosto
e fui embora com meus segredos.

(Alanna Correia)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

ESTAÇÃO



Sentado no banco da estação do metrô

Observo a movimentação das pessoas

Quantas pessoas indo e quantas vindo

Quantos destinos diferentes

Rostos diferentes

Histórias diferentes

Vidas diferentes.


De todas essas pessoas

Sei tanto delas quanto elas sabem de mim:

Nada!

São muitos estilos, comportamentos

Como saberia?


Por diversas vezes me vi sozinho

E por isso tracei objetivos individuais

Mas agora, olhando essas pessoas,

Eu me pergunto:

Algum objetivo meu não estaria prejudicando

Um objetivo alheio?

Este meu objetivo é mesmo necessário?

É mais importante do que os objetivos

Dessas outras pessoas?


Será que elas me percebem como eu as percebo agora?

Será que me vêem sentado neste banco?

Será que elas pensam em relação a mim

Da mesma maneira que eu penso em relação a elas?


Só agora, depois de observá-las bem,

Percebi o quão cego eu estava

Como eu pude, diante de tantas pessoas,

Não me lembrar delas

E só me lembrar de mim?


Agora, sentado no banco da estação

Esqueço de mim

E me preocupo com elas

E como sinal que as percebo

Abro um sorriso

E como resposta eu recebo a indiferença.


Insisto em sorrir para cada pessoa que passa

E a resposta é a mesma

Ora, quem pode culpá-las?

Não as percebi durante muito tempo

Por que elas me perceberiam?


Uma criança me percebe

E com o sorriso mais doce

Faz valer o meu esforço

Para perceber e ser percebido.


Para minha surpresa ela se aproximou

E disse bem próximo ao meu ouvido:

“Eu sei o que você está fazendo,

Não desista, comigo acontece a mesma coisa,

Mas eu continuo a sorrir”


Sua mãe se aproxima e diz:

“Só me faltava essa,

Além de sorrir à toa

Ainda conversa sozinha”

E eu, sentado no banco da estação,

Continuo a sorrir...

(Moisés Wesley)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Um Fim


Pode parecer covardia para você. Você pode inclusive ler tudo o que escrevi e dizer ao final desta carta que eu não passava de um desajustado, egoísta e, acima de tudo, covarde. Você até pode me chamar de covarde se quiser. Para dizer a verdade, eu também diria que esta atitude não passaria de um ato de covardia. Diria sim. Até o momento em que eu mesmo resolvi tomá-la.
Quando a gente ver por outro ângulo, a gente acaba passando a entender melhor as coisas, as pessoas. Veja bem, eu tentei de todas as formas resolver os conflitos que me cercavam. Eu briguei, conversei, lutei, ignorei, fiz terapia, yoga e até frequentei algumas igrejas de diferentes religiões. Ninguém pode dizer que eu não tentei. Porque eu tentei bastante, mas tudo era em vão. Todas as minhas escolhas de alguma forma deram erradas. Muitas pessoas me perseguiram, pouquíssimas me entendiam.
De fato, acho que ninguém chegou realmente a me entender. Não tem como sabermos o que uma outra pessoa passa, a não ser que sejamos essa pessoa. Cada um encara as coisas de um jeito diferente e eu tentei encarar de muitos jeitos, mas nenhum funcionou. A terapeuta disse que eu deveria aprender a viver por mim mesmo, sem me preocupar com os outros. A igreja disse que Jesus me amava e isso era tudo o que importava. A Yoga me ensinou a procurar a paz na natureza e dentro de mim. Mas dentro de mim não tinha paz alguma e as pessoas ao meu redor não me deixavam me concentrar na... não sei... Na paz?
No fim é só isso que as pessoas querem. Um pouco de paz, um lugar pra repousar a cabeça e descansar. Acabar com os problemas, com as aflições...
Esta carta não é para culpar ninguém e nem para tirar um peso do meu coração que por toda a minha vida andou tão pesado. Estou escrevendo apenas para que nenhuma outra pessoa seja acusada pela a vida que eu mesmo tirei.
Sei que você não entende os motivos. Pode ter sido solidão, desespero, covardia ou simplesmente cansaço. Você pode escolher qualquer uma dessas palavras se alguma delas fará com que você se sinta melhor. Nem com muitas cartas eu poderia transmitir o que realmente me fez fazer o que estou prestes a fazer.
Agora, você deve está se perguntando: esse cara não pensa em sua família? Digo logo que não tenho família, pois a definição que me deram de família quando eu ainda era criança não condiz em nada com as pessoas que compartilham do mesmo DNA que eu. Sendo assim, digo que sim, pensei sim em cada um deles, mas no fim eles saberão que esta acabou sendo mesmo a melhor forma de colocar um ponto final nas coisas.
Assim ficamos todos em paz. Eu, eles e você que agora ler minha carta como se não tivesse feito parte da minha vida. Talvez você esteja certo, talvez você realmente não tenha nada haver comigo. Ou talvez não. Mas isso é algo que nós nunca saberemos, pois já não me importam mais as respostas para as perguntas que tenho e quanto as que você tem, já está tarde para que eu possa respondê-las, não é mesmo?
E desta forma termino minha carta apenas para dizer que as coisas têm mesmo um fim. Todas elas.
Adeus.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

REFLEXÃO


O hoje se tornará o ontem,

O futuro será passado.

O passado foi presente, foi futuro.


Porém, tudo é confuso

Será que as coisas realmente mudam?

Talvez nem existam mudanças,

O que se vê é apenas a repetição da história,

Que não vivemos apenas a encenamos.


O que se vê é que o confuso

É permanente

E o questionamento é iminente.


Somos tudo e nada,

Realidade e ilusão,

Somos uma contradição,

Somos uma fusão.


Os sonhos dão sentido à vida,

A vida é um risco de ganhar e de perder,

Mas vale arriscar e perder

A se reservar e, no tempo, se esquecer

Deixando de viver.


Somos pó misturado com água,

Transformados em massa endurecida.

Somos vulneráveis ao tempo,

Deterioramo-nos,

Transformamo-nos.


Mas de um jeito ou outro,

Evoluímos,

E um futuro nos espera

Vivemos numa esfera

Que nos deixa tontos.


Olhamos para frente,

Sempre nos arriscamos

Porque fazemos o que queremos

E fazemos o que não queremos

Mas o importante é que vivemos

E a realidade modificamos.


Somos fracos,

Mas pensamos,

O que não é sinônimo de usar a razão,

E que sentido terá,

Quando descobrirmos que a nossa verdade não há?


(Moisés Wesley)