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Mostrando postagens com marcador romance. Mostrar todas as postagens
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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Um Sonho Qualquer

 Essa noite sonhei com você. Estávamos na praia, nossos amigos, você e eu. Eu estava andando na areia junto com todos. Comia patinha de caranguejo. Você ajudava as pessoas a entrarem na água. É que sonhos não são como realidade e era preciso descer as pedras para entrar no mar. Fui até as pedras e você me deu a mão perguntando se eu queria ajuda. Sorri e, ao invés de segura-lo pela mão, pulei em seus braços entre risadas infinitas. Você, bobo, me agarrou sorridente e disse que agora estava ocupado, mas que era para eu espera-lo na areia. Me levou então para longe dali e disse que já voltava. Eu continuava sorrindo daquele jeito de sempre vendo você ir embora. Ao longe você virou pra mim e gritou para te esperar. Eu nunca respondia nada, estava sempre em silêncio com um sorriso comprido no rosto. Depois de um tempo você voltou, andou em minha direção e quando estávamos nos encontrando, eu acordei.
 Todo o sonho virou poeira e foi carregado para o mar pelo vento. Eu fiquei ali esticada na cama morrendo de sono e desejando voltar a dormir. Sonhos são malucos e nada tem haver com a realidade. Só queria dormir de novo e migrar para um sonho qualquer. Qualquer... qualquer? Bom, é. É, mas enquanto eu dizia isso, percebi que o sorriso comprido perdeu alguns centímetros e em seu lugar apareceu um curtinho, tímido, ligeiro. Senti o rosto esquentando e posso supor que estava corando. Foi só por alguns segundos. Algo rápido como aquelas pequenas ondas que somem na areia. Meu coração saiu do ritmo um pouquinho e, antes que eu pudesse perceber, continuei sonhando de olhos abertos. Você voltava para mim e percebendo que eu não estava mais ali, ficou calado e cabisbaixo sentado exatamente onde tínhamos nos separado. Você olhava o horizonte pensando em alguma coisa que eu não poderia nunca adivinhar. E então eu cheguei perto de você, segurei seu rosto em minhas mãos e... E ficamos naquele ponto em que o céu encontra o mar e os dois vão juntos até o infinito. Com em um sonho de verdade. Um sonho desses que a gente tem quando a noite está virando dia. Quando o desejo vai tomando forma de realidade.


Alanna Correia

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Nos Olhos


- Por que você está me olhando assim?
- Estou vendo seus olhos.
- Claro! Porque eles são muito bonitos. Castanhos exatamente como o de todo mundo.
- E olho por acaso tem só cor?
- E tem o que mais? Para com isso!
- Deixa eu continuar olhando.
- Não! Me diz o que você está vendo!
- Eu só estou tentando ver se eu estou dentro dos seus olhos... do mesmo jeito que você está dentro dos meus.

Alanna Correia


Acho que esse blog me odeia. Sério. Não entendo porque as imagens estão ficando assim gigantes! Eu já fiz de tuuuudo para elas ficarem pequenas, mas não funciona. ¬.¬'
E só dá erro aqui no Nobre. Nos outros ficam bem certinhas.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Naquela Noite

Naquela noite ela só queria ser mimada. Ficar abraçada e conversar baixinho, rir sem escândalos e sentir o coração bater doce e devagar. Sentir seu cheiro preferido, tocar os dedos de quem mais gostava.
Naquela noite ela só queria ser tão especial para ele quanto ele era para ela.

Alanna Correia

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Quase Incompleto




Estava sentada do lado de fora olhando para o céu. Até que não tinha muitas estrelas. Nunca tem na cidade. Mas a luz estava bonita. As pessoas lá dentro conversavam alto e riam bastante. Ela bem que poderia rir. Não estava triste, mas também não estava completo. Parecia que alguém tinha arrumado a árvore de natal e esquecido de colocar a estrela grande na ponta. Ou de ascender as luzes.
Pegou o celular do bolso, rolou alguns da agenda telefônica. Parou em um. Suspirou. Olhou para o céu de novo e pediu por um pouco de coragem. Seria bom se mais alguém se lembrasse dela agora. Mesmo que não fosse pessoalmente. Mesmo que não fosse sério, só dizer oi era o suficiente. Quem sabe as luzes não piscariam?
Olhou de novo o nome marcada, tocou a tecla verde e apertou a vermelha. Se pelo menos soubesse que do outro lado iriam gostar de ouvir sua voz. Achou que seria só mais um incomodo. Era uma noite para se passar em família. Várias horas de reflexão, uma oração antes da ceia e dos abraços cheio de amor. Um amor que não acabaria nem sob mandato. Amor pago com sangue e conectado por laços eternos. Gostando-se ou não.
"É melhor entrar"
Guardou o aparelho de volta no bolso e entrou. Brigou com os primos que estavam colocando o dedo no pudim, recebeu mais conselhos da avó, comentou a maquiagem da tia, ouviu fofocas. Tudo estava lindo. Lindo e incompleto. Faltariam guirlandas?
Meia-noite. Oração, abraços, beijos, comida. Vibração.
Se assustou com o bolso tremendo. Chamada.
- Alô?
- Oi. Feliz Natal.
Sorriso. A estrela no alto da árvore acendeu.
(Alanna Correia)

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Moisés e eu desejamos a todos um
Feliz Natal
^.^

domingo, 5 de dezembro de 2010

Pára


que merda, garoto!
pára de me atormentar com esses olhos
pára de me irritar
de me oferecer esse sorriso
e me encher de carinho.
sério, pára.
porque eu estou gostando
e isso pode virar um problema.

Alanna


Nossa... estou com problemas em postar imagens. Elas ficam esticadas e enormes e feias e eu não sei porquê! No meu outro blog não tá dando esse erro, só aqui e só comigo. Se alguém souber como arrumar eu aceito ajuda, tá?
Paz.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Faz de Conta

Que maldade a sua,
me conquistar assim e depois ir embora
sem nem me dá o gosto dessa brincadeira.


E que tolice a minha,
me deixar me apaixonar assim,
mesmo sabendo que era tudo faz-de-conta.


Alanna Correia

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Os Marrons


Os quatro amigos conversavam animados.
- O que eu gosto na Mariana, são os cabelos dela. Adoro quando ela deixa aqueles cabelos lisos soltos. - disse Rogério.
- Já eu, adoro as mãos da Tati. Ela tem uns dedos finos e um pouco compridos. Sei lá, acho as mãos delas muito bonitas. - falou Fernando.
- Poxa... na Elisa é até difícil dizer o que eu mais gosto nela... Acho que são os olhos. Ela tem aqueles olhos verdes maravilhosos. - concluiu Vitor.
Os três pararam de falar e ficaram encarando Gustavo que permaneceu calado durante toda a conversa.
- E você, Gustavo? Do que é que você mais gosta na Camila?
Gustavo continuou mais uns segundos calado e disse por fim:
- O que eu mais gosto nela é que ela sempre separa os M&M's marrons e deixa todos para mim.
- Quê? Os marrons?
- É. São os meus preferidos. - ele terminou.




Afinal, o amor é cotidiano.

Alanna Correia

sábado, 3 de julho de 2010

Solidão


Já perdi as contas sobre quantas vezes eu tentei dizer que me sentia sozinha.
Não importa o quanto eu tente, você nunca entende o que eu quero. Eu te olho nos olhos e imploro em silêncio para que você me abrace forte e faça todo a insegurança desaparecer. Quando eu estou com você, quase tudo some, exceto aquela insegurança. Eu tentei te explicar como ela era e como fazer para que ela desaparecesse, mas você não entendeu nada. No dia eu não quis te culpar por não entender, mas agora eu realmente quero pôr a culpa em você.
Como você não percebe o que acontece a sua volta? Ou você percebe e finge não vê?
Quando você me chama pelo nome e diz que me ama, eu sinto o chão sumindo sob os meus pés. É como se eu fosse cair em um abismo do qual eu jamais poderia voltar, mas, sabe, eu tenho medo de cair nele e de me machucar. Por que você não me segura as mãos e evita que eu caia? Ou por que você pelo menos não me diz que cairá comigo?
Não consigo mais explicar o quão sozinha eu me sinto. Você disse que me ouviu dizendo isso e disse que sanaria minha solidão, mas quando eu estou com você é justamente o momento em que me sinto mais solitária.

Alanna Correia
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Eu esqueci que era a minha vez de atualizar o blog. oO
Desculpem pela demora. Desculpa meeeesmo.

E o Brasil perdeu T.T
mas em 2014 tem mais xD

Paz _o/

domingo, 13 de junho de 2010

Um Começo?


E lá estávamos nós, sentados, um ao lado do outro. Mas não dizíamos nada. Queria tocá-lo, abraçá-lo. Seria o sentimento recíproco? Quem sabe...
Tão perto, tão próximos. Eu sentia seu braço roçar o meu. No entanto, mesmo tão perto, parecia que havia um abismo entre nós. Me senti tão longe dele. Não conseguia tocá-lo.
"O que está havendo?"
Pensei em dizer Oi, mas isso seria besteira, afinal, já tínhamos nos cumprimentado.
"Será que eu fiz alguma coisa?"
Não sabia o que dizer, não sabia o que pensar, não sabia o que sentir. Alguma coisa estranha passeava pelo meu coração e era fria... Senti medo.
"O que eu estou fazendo?"
Pensei então em perguntar como ele estava...
"Pra quê? Ele vai dizer que está bem e o assunto vai morrer de novo. Por que você não está falando comigo, como sempre?"
Eu não sabia o que fazer!
Não, o silêncio entre nós não era constrangedor. Já passamos por alguns silêncios antes, mas nenhum daquele jeito. Era como se o mesmo laço que nos atava, nos separasse atravessado entre nós. Por que eu estava sentindo aquilo? Daquele jeito?
"Eu... eu..."
Comecei a pensar em como eu estava distante dele. Olhei ao redor procurando uma saída. Eu poderia falar com ele ou simplesmente sair correndo dali, para algum lugar onde a falta de palavras não me incomodasse. Vi que sua mão repousava sobre o assento do banco. Estendi a mão na direção da dele, sorrateira, devagar, sem tirá-la do banco. Meus dedos iam escorregando para algum lugar onde pudessem encontrar os dele. Fazia tudo instintivamente e quase inconsciente. Se não podia falar, talvez desse certo tocar.
Olhei para ele, mas seu olhar estava distante. Olhava para frente distraído como se não quisesse perceber que eu estava ali.
"Por que eu me sinto assim perto dele? Por que ele se tornou tão importante para mim?"
Desisti de estender a mão. Me senti constrangida, tímida. Parei. Naquele momento eu teria raiva se não estivesse tão decepcionada, magoada, triste. Não entendia porque de repente comecei a ter necessidade dele. Eu o queria por perto, eu o queria falando comigo, olhando para mim, pensando em mim do mesmo jeito estranho que eu estava começando a pensar nele. Mas ele não olhava para mim, não falava comigo.
Olhei para frente também, desisti. Aceitei o quer que estivesse acontecendo e fiquei quieta com meus pensamentos e sentimentos bizarros. Estava tentando me distrair dele quando senti algo tocando meus dedos que antes haviam parado no meio do caminho quando tentei tocá-lo.
Mirei a coisa que me tocava e vi a mão dele junto da minha. Tocando a minha. Entrelaçada à minha como se o lugar dela fosse ali, abraçada à minha mão. Senti que o calor voltou a fluir em mim, ele começou em minha mão direita e saiu a passear pelo meu corpo beijando meu coração e fazendo voltas na minha barriga. A aflição feroz que existia em mim antes, foi toda destruída quando o senti pegar minha mão. Eu sorri tímida quando notei que ele sorria para mim e continuamos calados, mas não como antes. Dessa vez o silêncio era muito bem vindo e ele era o que permitia que nossas mãos conversassem, era o acalento para o meu coração. Dessa vez nossos olhos se encontraram e conversaram assim como nossas mãos e nossos corações começaram a bater no mesmo ritmo.
Por que um ato tão bobo, tão simples, fez com que eu me sentisse daquele jeito? O que estava acontecendo afinal? No que aquilo tudo poderia se transformar?
Eu nem fazia idéia, mas talvez ele pudesse me explicar.


Alanna Correia

sábado, 3 de abril de 2010

Febre


Eu estava deitada na cama coberta até o pescoço e ainda assim sentindo frio, muito frio e as vezes era atacada por ondas repentinas de calafrios. Fechei os olhos e tentei dormir.
Achei que alguém estava entrando no quarto, provavelmente iriam medir minha temperatura de novo, verificar se ocorrera algum progresso com os medicamentos. Pegaram em minha mão por debaixo do cobertor e me beijaram na testa. Senti o cheiro do meu perfume preferido. Eu gostava daquele perfume porque me fazia lembrar dele. Uma mechinha de cabelo roçou em minha testa. Bem que poderia ser a franja dele tocando o meu rosto.
- Fique boa, logo – alguém sussurrou.
Com certeza a febre já estava me fazendo delirar. O sussurro ao meu ouvido pareceu-me a voz dele. Eu sabia que não poderia ser, não tinha como ele estar ali depois de tudo o que aconteceu. Era provavelmente o meu pai que tinha entrado no quarto. Bom, descartei a idéia quando lembrei que o cabelo de meu pai é bastante curto. Então certamente era um de meus irmãos, ou até algum médico, sei lá. Àquela altura eu já nem sabia se estava em casa ou no hospital. Já não conseguia mais distinguir o real do delírio, afinal aquela febre já me acompanhava há dias, além do mais eu já tinha perdido as contas de quantas vezes eu havia dito o nome dele entre meus delírios. Eu sabia que só nos meus mais doces sonhos eu ainda poderia me encontrar com ele, depois de tudo...
Abri os olhos, vi o rosto dele em minha frente, parecia preocupado.
- Eu estou sonhando ou isso é coisa da febre de novo?
- Acho que você está sonhando, porque o termômetro voltou a marcar 37,9°C – ele respondeu com um sorriso curto, meio de lado e com um olhar terno.
- Então... posso pedir uma coisa?
- O que você quiser. Quer água ou algo para comer?
- Por favor, não me acorde.


Alanna Correia

quarta-feira, 24 de março de 2010

Desculpa



Me perdoa por eu não ter aberto a porta aquele dia. Me perdoa por não atendido o telefone, e por não ter respondido seus recados. Me perdoa por ter te mandado embora e por todas aquelas coisas que eu disse. Eu ouvi quando você cantou, ouvi quando você me contou seus sentimentos através da porta, eu chorei quando ouvi você caindo no chão aos prantos. Me perdoa por não ter te abraçado forte aquele dia e me perdoa por ter te deixado só naquele lugar. Perdão por eu não ter dito o que eu sentia de verdade por você. Perdão por não te entender como você queria e merecia. Eu sempre me achei pouco demais para você e a única coisa que eu fazia era me esforçar para que você pensasse que eu era o suficiente para você, mas você nunca se importou com isso, não é? Para você eu sempre fui bom o suficiente, eu era apenas o que você queria. Eu lutei tanto para ser melhor, que me tornei alguém que você odiou. E eu sei que você percebeu isso. Eu fui inseguro e por não querer te dizer isso acabei te afastando de mim. Me perdoa por não ter te contado tudo o que eu sentia, quando você me pediu uma resposta. Eu tive medo de me perder em você. Quando você me olhava com aquele olhar triste, tudo o que eu pensava era que aquilo era culpa minha. Eu te causava toda aquela dor por não me aceitar do jeito que eu sou, por querer te alcançar, por simplesmente não entender o que você queria. Você não queria um super herói, você não queria alguém de quem se orgulhar, você não queria status, nem inteligência, nem força, você só me queria por perto, do jeito que eu era antes, mas eu não percebi isso há tempo. Me perdoa por eu nunca ter aprendido a te amar?


Alanna Correia
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Tempos sem atualizar. Quis escrever um texto mais simples e não sei se tá entedível. Acho que ficou meio estranho e rosa demais. Haha!
Paz.

domingo, 17 de janeiro de 2010

A Espera

A ansiedade e o nervosismo fluíam de mim, não dormi direito, ao amanhecer não tive fome, não consegui comer. No colégio quase não prestei atenção em nada. Só pensava que em poucas horas eu iria te ver, finalmente, ouvir tua voz, te olhar nos olhos e tentar descobrir o que você estaria pensando. A cada segundo que se passava minha ansiedade só ia aumentando, parecia até que meu estômago ia sair voando pela janela, talvez até te encontrar antes de mim. As mãos frias não me deixavam disfarçar o que sentia. Esperei, esperei, sonhei acordada... Chegou enfim a hora tão esperada! Mas onde você estava? Pensei em ir embora, até tentei, mas no meio do caminho voltei e mais um vez esperei. Procurei. A ansiedade agora já tinha forma definida e esperava, desejava loucamente que você aparecesse, assim de surpresa mesmo, não importava como. E quando o tempo passou e eu já havia cansado de esperar, meus pés tomaram vida e me levaram para casa. Sozinha. O estômago não tentava mais fugir do meu corpo, o calor retornara às mãos. Em algum lugar, tocava músicas tristes. O sorriso por um tempo se escondeu. Os olhos se encheram de dor e a alma de decepção. Meu corpo seguia para casa, meu coração ainda te esperava e a mente só pensava: "Por que você não apareceu?"


"I don't know where you were, but I was there waiting for you"


Alanna Correia

sábado, 26 de dezembro de 2009

O Poema

Ele a entregou um poema e uma flor. Ela sorriu sem jeito e corou. Ele olhou para ela tímido e a esperou ler o poema. Ela sentiu um frio na barriga. Eles se olharam. Ele questionou, ela baixou a cabeça e não respondeu. Ele esperou uma resposta que não veio. Ela não encontrava palavras. Ele baixou a cabeça e se calou. Ela abriu a boca e nada falou. Ele sorriu triste. Ela sorriu preocupada. Ele se levantou e se despediu. Ela deixou ele seguir uns instantes e depois foi atrás dele.
- Eu esqueci de agradecer - ela disse tocando o ombro dele.
- Não precisa - ele respondeu virando-se e olhando para ela.
Ela desejou um sorriso dele. Ele desejou o amor dela. Mas ela não sabia amar, ainda. Ele disse que a ensinaria. Ela não respondeu. Ele foi embora, ela ficou. Ele deixou poema e flor. Ela deixou dor. Ele foi levando as esperanças dela. Ela ficou com as dores dele.
O vento soprou forte e arrancou das mãos dela o poema dele. Ela foi atrás e não o alcançou. Ele já tinha ido embora. Ela ainda continuou procurando o poema perdido. Ele decidiu voltar - pensar, pôr a cabeça no lugar. Ele a reencontra parada no mesmo lugar que estava quando ele havia ido embora. Ela devolve a flor a ele e diz que perdeu o poema. Ele diz que não tem importância e ela chora. Ele não entende nada. Ela também não. Ela pede perdão. Ele a abraça.
Venta de novo e ela continua a chorar. Ele diz que não vai embora até que ela pare de chorar.
- Eu te escrevo outro poema - ele diz.
- Não precisa - ela responde.
Por que ela chorava?
É que ela tinha perdido o poema e o que ela reencontrou foi o autor.


Alanna Correia
Feliz Natal, meu povo.
E Feliz Ano Novo também. ^.^

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Enquanto Você Dormia

Durante dias eu fiquei pensando sobre o que postar no Nobre Silêncio. Eu queria a postagem perfeita para ser a primeira vez (afinal a postagem do Moisés foi tão linda ^.^).
Eu pensava em várias histórias diferentes e acabava odiando todas que escrevia. Por fim, hoje, decidi qual vou postar e confesso que ela está longe de ser perfeita - na verdade eu a achei bem fraquinha, mas eu escrevi com o coração imaginando sobre vários silêncios nobres que andam pela noite sem que ninguém mais perceba. Então... é isso! E viva a inauguração do Nobre Silêncio.

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Enquanto você dormia, eu me tornava o homem que você sempre quis. Todas as noites eu passava em frente sua casa e ficava olhando o brilho na janela do seu quarto até que todas as luzes se apagavam e eu seguia meu caminho para minha casa. Todas as noites enquanto você dormia, eu passava horas de insônia imaginando o que fazer para você prestar atenção em mim, o que vestir para te impressionar, o que dizer para que a gente conseguisse pelo menos conversar por mais de 3 minutos que fosse.
Enquanto você dormia, eu aprendi a escrever poemas e descobri o quanto eles eram belos, e por vezes dolorosos, quando escritos com o coração. Enquanto você dormia, eu comprei-lhe presentes que nunca entreguei, aprendi a dançar desde valsa – para os seus 15 anos – até dance music, break, forró, reggae e merengue; conheci todos os seus cantores favoritos mesmo não gostando de praticamente nenhum deles. Enquanto você dormia, escrevi cartas, discursos e até conversas casuais que só saíam do papel quando eu dormia.
Você dormia e quem sonhava era eu. Sonhava com você, idealizava todos os seus movimentos, seus sorrisos, tudo o que eu diria a você e tudo que poderíamos fazer.
Eu fiz festas que eu odiava apenas para convidá-la e ver você sorrindo para mim enquanto aceitava ao convite. Eu aprendi nome de flores enquanto imaginava qual buquê compraria para você. Entrava em lojas de brinquedos e escolhia pelúcias que nunca comprei.
Enquanto você dormia, eu sonhava e lutava em ser perfeito para você e perdi várias noites e vários dias pensando em você. Eu sofri de amor por você.
E foi enquanto você dormia que eu conheci a garota da minha vida. Garota que me olha nos olhos e me faz perder a timidez, garota que sorrir e me faz me sentir o melhor cara do mundo, garota por quem eu não perdi uma noite de sono em sofrimento. Garota que me ama do jeito que eu sou, garota que eu amo mais do que um dia eu já pude amar você. Garota que não dorme.
Enquanto você dormia, eu amei, sofri, cresci e descobri que quando é amor não dói. E você, dormindo, nunca soube de nada e provavelmente nunca vai saber. E eu nunca disse nada porque achava que não podia acordar você.

Alanna Correia