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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Um Fim


Pode parecer covardia para você. Você pode inclusive ler tudo o que escrevi e dizer ao final desta carta que eu não passava de um desajustado, egoísta e, acima de tudo, covarde. Você até pode me chamar de covarde se quiser. Para dizer a verdade, eu também diria que esta atitude não passaria de um ato de covardia. Diria sim. Até o momento em que eu mesmo resolvi tomá-la.
Quando a gente ver por outro ângulo, a gente acaba passando a entender melhor as coisas, as pessoas. Veja bem, eu tentei de todas as formas resolver os conflitos que me cercavam. Eu briguei, conversei, lutei, ignorei, fiz terapia, yoga e até frequentei algumas igrejas de diferentes religiões. Ninguém pode dizer que eu não tentei. Porque eu tentei bastante, mas tudo era em vão. Todas as minhas escolhas de alguma forma deram erradas. Muitas pessoas me perseguiram, pouquíssimas me entendiam.
De fato, acho que ninguém chegou realmente a me entender. Não tem como sabermos o que uma outra pessoa passa, a não ser que sejamos essa pessoa. Cada um encara as coisas de um jeito diferente e eu tentei encarar de muitos jeitos, mas nenhum funcionou. A terapeuta disse que eu deveria aprender a viver por mim mesmo, sem me preocupar com os outros. A igreja disse que Jesus me amava e isso era tudo o que importava. A Yoga me ensinou a procurar a paz na natureza e dentro de mim. Mas dentro de mim não tinha paz alguma e as pessoas ao meu redor não me deixavam me concentrar na... não sei... Na paz?
No fim é só isso que as pessoas querem. Um pouco de paz, um lugar pra repousar a cabeça e descansar. Acabar com os problemas, com as aflições...
Esta carta não é para culpar ninguém e nem para tirar um peso do meu coração que por toda a minha vida andou tão pesado. Estou escrevendo apenas para que nenhuma outra pessoa seja acusada pela a vida que eu mesmo tirei.
Sei que você não entende os motivos. Pode ter sido solidão, desespero, covardia ou simplesmente cansaço. Você pode escolher qualquer uma dessas palavras se alguma delas fará com que você se sinta melhor. Nem com muitas cartas eu poderia transmitir o que realmente me fez fazer o que estou prestes a fazer.
Agora, você deve está se perguntando: esse cara não pensa em sua família? Digo logo que não tenho família, pois a definição que me deram de família quando eu ainda era criança não condiz em nada com as pessoas que compartilham do mesmo DNA que eu. Sendo assim, digo que sim, pensei sim em cada um deles, mas no fim eles saberão que esta acabou sendo mesmo a melhor forma de colocar um ponto final nas coisas.
Assim ficamos todos em paz. Eu, eles e você que agora ler minha carta como se não tivesse feito parte da minha vida. Talvez você esteja certo, talvez você realmente não tenha nada haver comigo. Ou talvez não. Mas isso é algo que nós nunca saberemos, pois já não me importam mais as respostas para as perguntas que tenho e quanto as que você tem, já está tarde para que eu possa respondê-las, não é mesmo?
E desta forma termino minha carta apenas para dizer que as coisas têm mesmo um fim. Todas elas.
Adeus.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Pesadelos


Meia noite

Joaquim olhava o relógio nervoso. Ele ainda não sabia dizer as horas, mas sabia que quando os ponteiros se uniam apontando para cima todo o barulho recomeçava. Sua mãe sempre o colocava para dormir pouco depois do jornal passar na tevê. Ela dizia que era para ele trancar a porta e não abrir, mesmo se o pai mandasse. Era melhor que ele dormisse. Mas Joaquim nunca conseguia dormir. Ele sempre esperava os gritos passarem para destrancar a porta, sair na ponta dos pés e ajudar a mãe a se levantar. Normalmente ela sempre acabava no chão. Ele não sabia porque era sempre assim. Ele queria ajudar a mãe, protegê-la. Ela não era de brigas, mas sempre apanhava calada por motivos que Joaquim nunca entendia.
Uma vez o pai tentou abrir a porta do quarto de Joaquim. Esmurrou a porta, gritou até que o menino a abriu. A mãe estava atrás do pai e quando viu a porta se abrindo se jogou na frente do filho e bateu a porta com força. Foi a primeira vez que ela gritou, "Fecha a porta, menino! Deixa trancada e vai dormir!". Ele fechou a porta correndo e ouviu muitas pancadas e gemidos do lado de fora. Horas depois, o pai foi dormir e Joaquim saiu do quarto para cuidar da mãe caída no chão. As roupas dela estavam rasgadas e espalhadas pela casa. Seu rosto estava tão feio quanto os rostos que apareciam nos pesadelos do menino. Tinha muita coisa vermelha e ele não lembrava de quando haviam pintado os móveis daquele jeito. Ao se aproximar da mãe, ela pegou em sua mão e sorriu como se tudo estivesse normal. Depois daquela noite ele nunca mais abriu a porta. Mas nem por isso as coisas se acalmaram. A rotina noturna se repetia quase todos os dias.
Só que hoje era diferente. Pela manhã, enquanto o pai dormia e a mãe estava fazendo o café, Joaquim se esbeirou pelas paredes até o quarto dos pais. Outro dia ele tinha visto lá dentro do guarda-roupas e foi quando teve a ideia. Mamãe nunca mais ia pedir que ele ficasse trancado no quarto. E ele mesmo nunca mais ia deixar que mamãe se machucasse tanto. Ele pegou a caixa e saiu correndo para o quarto. Guardou tudo junto com as meias limpas e foi para a escola. O dia passou rápido e logo chegou a noite. O jornal terminou e a mãe deu a ordem de sempre. Obediente, Joaquim se trancou no quarto e ficou esperando os ponteiros do relógio se unirem apontando para o teto. Logo logo papai chegaria. O pesadelo era pontual. O menino correu para a porta e ficou espiando pela fechadura. Papai não demorou. Chegou jogando uma garrafa nos pés da mamãe, que levantou e foi para a cozinha. Papai sentou em frente a tevê e quando mamãe trouxe a comida, ele jogou o prato no rosto dela e a puxou pelos cabelos arrastando-a pela sala. Joaquim foi até as meias abriu a caixa que roubara do quarto dos pais pela manhã e voltou a espiar. Mamãe continuava no chão e papai estava por cima dela segurando a garrafa que ele havia quebrado logo chegara. O menino destrancou a porta e ela rangiu ao ser aberta por suas pequenas mãos. Papai e mamãe se viraram para ele e ele sentiu medo. Papai parecia um monstro e mamãe trazia pânico nos olhos. "Joaquim volta pro quarto!", mamãe gritava. Papai se levantou e perguntou se o filho também queria brincar. Ele largou a mãe e foi em direção ao filho. Joaquim fechou os olhos e disparou. Papai caiu de joelhos e depois deitou no chão imóvel. Mamãe se levantou correndo, tomou o revólver da mão do filho e os dois se trancaram no quarto.
Mamãe não estava feliz. Ele fez tudo pensando nela, mas ela não parecia satisfeita. Ela pegou uma mala em cima do guarda-roupas encheu de algumas coisas e puxou o filho pela mão para fora da casa. "Mamãe, agora está tudo bem", ele pensava. "O que você fez, menino?", ela dizia sussurrando.
Eles saíram de casa correndo e ela jogou o revólver em um riacho no meio da estrada. Nesse dia entraram em um ônibus e fizeram um passeio de dois dias. A mãe chorava o tempo todo e fez o filho acreditar que tudo tinha sido só um pesadelo.
"Papai ficou em casa e a gente está indo embora. Você ficou dormindo até tarde e agora a gente vai morar em outra casa. Foi tudo um pesadelo e você está proibido de tocar nesse assunto de novo. Você sempre foi um bom menino, Joaquim...".
Mamãe dizia que tinha sido um sonho ruim, mas sonho ruim mesmo eram aqueles das outras noites. Com o tempo ele já não sabia mais se tinha sido verdade ou um pesadelo mesmo. O fato é que Joaquim nunca mais viu papai e nunca mais sentiu medo das setas do relógio apontando para o teto.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

ATÉ MAIS, MINHAS QUERIDAS...

Como disse a Alanna, estamos de volta. \o/

%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%


Mais uma vez vocês se vão deixando um grande vazio!

Por que sempre fazem isso comigo?


Me sinto tão bem quando estão presentes.

Demoram tanto para chegar

E partem tão repentinamente!


Às vezes, dói tanto quando não estão aqui!

O sofrimento cresce inversamente proporcional a sua vinda!


Momentos tão lindos, tão felizes nós sempre passamos juntos

Mas vocês, sem nenhum remorso, constantemente me deixam!


Enquanto vocês se ausentam

Eu fico aqui usando a lembrança de nossos encontros

Como sustentação até vocês voltarem!


Ah, mal se foram e eu já sinto saudades!

Tudo bem, eu já deveria estar acostumado.


Vão, minhas queridas...

Eu fico aqui, sem vocês.

Suportarei, pois sei que vão voltar, vocês sempre voltam.


Até mais, minhas queridas...

... minhas queridas férias!


(Moisés Wesley)


%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%%

Minhas aulas recomeçaram hoje, então, só para descontrair, escrevi esse poema. rsrsrs



sábado, 3 de julho de 2010

Solidão


Já perdi as contas sobre quantas vezes eu tentei dizer que me sentia sozinha.
Não importa o quanto eu tente, você nunca entende o que eu quero. Eu te olho nos olhos e imploro em silêncio para que você me abrace forte e faça todo a insegurança desaparecer. Quando eu estou com você, quase tudo some, exceto aquela insegurança. Eu tentei te explicar como ela era e como fazer para que ela desaparecesse, mas você não entendeu nada. No dia eu não quis te culpar por não entender, mas agora eu realmente quero pôr a culpa em você.
Como você não percebe o que acontece a sua volta? Ou você percebe e finge não vê?
Quando você me chama pelo nome e diz que me ama, eu sinto o chão sumindo sob os meus pés. É como se eu fosse cair em um abismo do qual eu jamais poderia voltar, mas, sabe, eu tenho medo de cair nele e de me machucar. Por que você não me segura as mãos e evita que eu caia? Ou por que você pelo menos não me diz que cairá comigo?
Não consigo mais explicar o quão sozinha eu me sinto. Você disse que me ouviu dizendo isso e disse que sanaria minha solidão, mas quando eu estou com você é justamente o momento em que me sinto mais solitária.

Alanna Correia
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Eu esqueci que era a minha vez de atualizar o blog. oO
Desculpem pela demora. Desculpa meeeesmo.

E o Brasil perdeu T.T
mas em 2014 tem mais xD

Paz _o/

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Experimentando

“Quando esta lágrima que pende de teus olhos cair, para onde ela vai?”
Observou atentamente a pessoa em sua frente. Joelhos no chão, mãos entrelaçadas em frente ao coração, cabeça baixa, olhos fechados. Seus lábios se mexiam como se estivessem falando, embora não se ouvisse nenhum som saindo deles.
“Quando a pessoa com quem falas em silêncio te ouvir, o que farás?”
O salão era amplo e, apesar de se ver muitas lâmpadas no teto, a maioria estava apagada, o que dava um ar doce e tranquilo ao ambiente. Se tivesse que escolher uma palavra apenas para defini-lo seria aconchegante. Enormes bancos de madeira se estendiam ocupando quase toda a área do lugar deixando apenas um corredor bem a centro que ligava a enorme porta de entrada ao altar.
“Quando os sussurros que falas forem ditos, para onde irás?”
Em cima do altar havia alguns arranjos de flores que davam uma cara menos séria ao lugar e um púlpito transparente bem ao centro erguia-se imponente e sem arrogância como se estivesse pronto para dar início a um discurso. A cima do púlpito, descansava um grande livro de capa preta com letras douradas, que não podiam ser lidas de onde se estava, apesar de que praticamente todos sabiam exatamente de que livro se tratava.
“Quando tuas mãos se soltarem, o que farás com elas?”
Tudo estava silencioso e as flores ofereciam um aroma leve e agradável ao lugar. As paredes eram lisas e pintadas até a metade com algum tipo de textura artística. A pessoa continuava na mesma posição de antes e ainda falando coisas que não se podiam serem ouvidas.
“Com quem falas e por quê? Se falas tão baixo assim, como sabes que podem te ouvir? Não seria inútil conversar sozinho com os olhos fechados e tão baixo?”
Apesar da nítida clareza do ambiente, ele não entendia o que acontecia ali. Olhou para o livro preto que repousava sobre o púlpito.
“Só descobrimos o gosto de algo se provarmos...”
Ele fechou os olhos e respirou fundo.
“E agora o que faço?”
Espiou a pessoa da frente que continuava convicta com seu aparente monólogo silencioso. Fechou os olhos novamente e tentou se encontrar, se conectar, talvez até conversar as mesmas coisas – ou com a mesma pessoa – que sempre ouvira a respeito. Agora ele podia ver alguma coisa que ele não sabia o que era. Ele havia fechado os olhos, mas ao invés da escuridão trazida pelo cerrar das pálpebras, o que ele viu foi uma luz. Era quente e não queimava, era forte e não ofuscava. Ele tocou a face e percebeu que chorava. Chorava tudo o que havia preso e perdido dentro dele por causa de seus próprios atos.
“Como é possível conversar com o que não existe?”
Ele abriu os olhos finalmente, secou o rosto. Estava leve. Seu corpo estava leve como se não tocasse o chão, sua cabeça estava tão calma, sua respiração não doía-lhe mais e seus joelhos ainda estavam no chão. Ele mirou a pessoa que falava sozinha e ela já não estava mais ajoelhada, estava sentada ao seu lado com um sorriso terno nos mesmos lábios que conversavam com ninguém. Ele sorriu de volta para ela como há muito tempo não conseguia sorrir.
“E depois que se fala com quem não existe, depois de se acreditar no que não é real, depois de sentir o que não tem forma, depois de tudo isso, como posso continuar dizendo que nada existe? O único jeito de se saber o sabor é experimentando.”
Quando a lágrima que pendia de seus olhos caísse, ele sabia que poderia recomeçar com a vida, deixar o passado para trás e construir um novo presente.

Alanna Correia
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Passei bastante tempo para conseguir escrever alguma coisa e no fim acho que o texto ficou um pouco grande, mas foi o que consegui. Sinto muito se não gostarem. Eu sei que não é emocionaaaaaante e tudo mais, mas eu até que gostei dele :)
Tudo de bom para todos e até mais.
_o/

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Para Sempre


 Estava deitado em minha cama e não consegui conter as lágrimas que rolavam de meus olhos. Meu coração doía... era um dor pequena, intensa e sufocante, cortante, constante... ela apertava tão lentamente meu coração que eu já não podia dizer a quanto tempo eu a sentia. Apertei ainda mais o travesseiro contra o rosto como se ele pudesse afagar minha cabeça, me consolar até que eu caísse no sono e, pode até ser que ele tenha tentado, mas não conseguiu, pois eu continuei ali chorando sem querer entender, aceitar o que tinha acontecido.
Eu, que já havia convivido com  a solidão antes, de repente tive pânico da presença dela. Eu estava sozinho. Ninguém que me pudesse abraçar, fazer companhia ou pelo menos me dizer que tudo ficaria bem, cedo ou tarde. Os dedos que se entrelaçavam aos meus, não faziam mais companhia às minhas mãos, os olhos que completavam o brilho dos meus não brilhavam mais, o sorriso que me trazia alegria não sorria mais... Tudo estava vazio... A voz dela, vinda de outro cômodo da casa, não invadia mais o quarto, as conversas silenciosas não seriam mais olhos nos olhos. Eu que sempre fui tão independente, nunca me senti tão dependente antes... tão frágil... E agora o que eu faria? Como seriam os meus dias? Como eu poderia dormir sem tê-la ao meu lado? Como eu suportaria ver tudo se transformando em apenas memórias?
Pedi a Deus que me devolvesse... disse para Ele que Ele estava sendo egoísta por tê-la tirado de mim, afinal eu provavelmente precisava mais dela do que Ele.
- Por que você a tirou de mim? Deus, por que você a tirou de mim? Por que você não a deixou por aqui mais um pouco? Por quê?
Penso agora, que aquele que criou o Adeus, nunca teve a necessidade de dizê-lo, porque se o tivesse tido, com certeza, teria apagado a própria criação.
Nada naquela noite me confortou... nenhuma luz me trouxe esperança, nenhuma chama aqueceu meu coração, nenhuma canção me acalmou...
Eu sabia que em algumas horas amanheceria e eu teria que terminar de arrumar as coisas do velório... eu teria que enterrá-la... eu teria que me despedir da minha amada... para sempre.

Alanna Correia

terça-feira, 20 de abril de 2010

Antíteses

Já sinto a frieza a circular-me
O espaço vazio que ficou quando tu foste embora
O ar que levou contigo quando partiu
O silêncio insuportável que se instaurou ao derredor

Os sorrisos que desabrocharam tornaram-se pranto
E a companhia em solidão
Aquele que arranca o fardo de teus ombros
É o mesmo quem o colocou sobre ti

O sonho que se tornou pesadelo no momento mais doce
Aquele mesmo sonho que te fez repousar tranqüilo
Transformou-se na tua tormenta noturna
E te fez, assustado, despertar...

Despertar para o nascer do sol,
Para o tinir dos rios e a doçura das flores
Para a graciosa e gélida neve que
Te acalma a alma e te congela o corpo.

O sim e o não
O ir e o vir
O respirar e o afogar-se
O falar e o silenciar.

Diante de tais palavras nada me restou, mais uma vez, além do silencio.

Desculpa.


Alanna Correia

quarta-feira, 24 de março de 2010

Desculpa



Me perdoa por eu não ter aberto a porta aquele dia. Me perdoa por não atendido o telefone, e por não ter respondido seus recados. Me perdoa por ter te mandado embora e por todas aquelas coisas que eu disse. Eu ouvi quando você cantou, ouvi quando você me contou seus sentimentos através da porta, eu chorei quando ouvi você caindo no chão aos prantos. Me perdoa por não ter te abraçado forte aquele dia e me perdoa por ter te deixado só naquele lugar. Perdão por eu não ter dito o que eu sentia de verdade por você. Perdão por não te entender como você queria e merecia. Eu sempre me achei pouco demais para você e a única coisa que eu fazia era me esforçar para que você pensasse que eu era o suficiente para você, mas você nunca se importou com isso, não é? Para você eu sempre fui bom o suficiente, eu era apenas o que você queria. Eu lutei tanto para ser melhor, que me tornei alguém que você odiou. E eu sei que você percebeu isso. Eu fui inseguro e por não querer te dizer isso acabei te afastando de mim. Me perdoa por não ter te contado tudo o que eu sentia, quando você me pediu uma resposta. Eu tive medo de me perder em você. Quando você me olhava com aquele olhar triste, tudo o que eu pensava era que aquilo era culpa minha. Eu te causava toda aquela dor por não me aceitar do jeito que eu sou, por querer te alcançar, por simplesmente não entender o que você queria. Você não queria um super herói, você não queria alguém de quem se orgulhar, você não queria status, nem inteligência, nem força, você só me queria por perto, do jeito que eu era antes, mas eu não percebi isso há tempo. Me perdoa por eu nunca ter aprendido a te amar?


Alanna Correia
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Tempos sem atualizar. Quis escrever um texto mais simples e não sei se tá entedível. Acho que ficou meio estranho e rosa demais. Haha!
Paz.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Caixa de Sapatos





Fazia tempo que Vitória não mexia nas coisas velhas do sótão. Na verdade, ela nunca podera. Trabalhava demais e o pouco que tempo que passava em casa estava sempre ao telefone negociando as próximas vendas. Agora, aposentada, decidiu fazer um limpeza no local. 


Com o peso do estresse de uma vida de empresária em suas pernas, subiu devagar as escadas que davam ao sótão e começou a olhar as coisas antigas e empoeiradas que estavam por lá até que, finalmente, seus olhos pararam numa caixa de sapatos rosada que estava no chão. Lembrava-se daquela caixa. Era onde ela própria guardava algumas lembranças 


Vitória então pegou a caixa e a abriu. Para sua surpresa não eram as coisas dela que estavam ali. "De quem serão então?" pensou. 


Dentro haviam algumas fotos de sua família que ela nunca tinha visto antes. Olhou uma por uma e sentiu a saudade passeando pelos seus olhos, sua mente, seu coração. "Onde eu estava quando essas fotos foram tiradas?" Vitória não lembrava de nenhuma delas. Achou também, junto com as fotos, uma agenda telefônica que perdera há vinte anos, algumas cartas e um broche. Uma das cartas remetia-se a ela, abriu-a e leu: 
"Querida mãe, como hoje é seu aniversário, comprei-lhe um broche, espero que goste. Obrigada pela caixa de sapatos rosa, é muito bonita e prometo guardar nela só as coisas mais importantes pra mim. Desculpe por pegar sua agenda telefônica, mas é que eu achei que assim você poderia passar esse dia comigo e não trabalhar. Feliz aniversário! Te amo, mãe!" 
Vitória nunca ganhara o broche, tampouco a carta. É provável que naquele dia tenha ido trabalhar. 
Então, com os olhos úmidos e 56 anos de vida perdida, ela fecha a caixa e desce as escadas.


Alanna Correia

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Esse texto é bem velhinho já, mas eu gosto tanto dele, apesar de ser meio triste. Eu o escrevi como exercício de Redação. O professor mandou a gente fazer um texto narrativo com o tema "caixa de sapatos, fotografias, agenda telefônica, cartas e broche" e esse texto foi o meu. Haha!
Felicidades para todos!
_o/

domingo, 17 de janeiro de 2010

A Espera

A ansiedade e o nervosismo fluíam de mim, não dormi direito, ao amanhecer não tive fome, não consegui comer. No colégio quase não prestei atenção em nada. Só pensava que em poucas horas eu iria te ver, finalmente, ouvir tua voz, te olhar nos olhos e tentar descobrir o que você estaria pensando. A cada segundo que se passava minha ansiedade só ia aumentando, parecia até que meu estômago ia sair voando pela janela, talvez até te encontrar antes de mim. As mãos frias não me deixavam disfarçar o que sentia. Esperei, esperei, sonhei acordada... Chegou enfim a hora tão esperada! Mas onde você estava? Pensei em ir embora, até tentei, mas no meio do caminho voltei e mais um vez esperei. Procurei. A ansiedade agora já tinha forma definida e esperava, desejava loucamente que você aparecesse, assim de surpresa mesmo, não importava como. E quando o tempo passou e eu já havia cansado de esperar, meus pés tomaram vida e me levaram para casa. Sozinha. O estômago não tentava mais fugir do meu corpo, o calor retornara às mãos. Em algum lugar, tocava músicas tristes. O sorriso por um tempo se escondeu. Os olhos se encheram de dor e a alma de decepção. Meu corpo seguia para casa, meu coração ainda te esperava e a mente só pensava: "Por que você não apareceu?"


"I don't know where you were, but I was there waiting for you"


Alanna Correia

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Silêncio Engasgado






Tem um silêncio que há anos está entalado em minha garganta. Ele se escondeu em minhas pregas vocais e não quer sair. Tem um silêncio amarguradamente preso em meu peito que eu não deixo sair. É um grito surdo que as vezes chega até meus olhos, mas não sai. Eu já tentei gritá-lo várias vezes, mas ele não sai. Sabe quando chiclete gruda no cabelo? Eu até já tentei cortá-lo fora, mas não consegui.
Eu não sei mais o que fazer para arrancar esse silêncio. Já tentei métodos estranhos, já perdi horas pensando em  uma nova tática, arquitetei planos mirabolantes para tirá-lo daqui, mas ele não sai.
Uma vez eu pensei que ele ia sair. Chegou até minha boca e parou em meus lábios, voltou daí. Estranho com quando encaro aqueles olhos eu não consigo dizer nada. Parece que eu sou tão facilmente manipulada que isso me deixa louca de raiva!
Se eu fosse um pouco mais forte para gritar de uma vez tudo o que preciso. Mas não... Sou apenas mais uma muda na multidão. Alguém que deixa uma tal pessoa dizer o que quiser sem falar nada, sem se defender, sem gritar, sem nem chorar mais! O silêncio está tomando conta de mim. Quase como se fosse um câncer, eu sinto ele se enraizando pelo meu corpo, se espalhando e sugando minha vida.
Eu não consigo mais sorrir como antes, eu não consigo mais sonhar, não consigo mais respirar em paz. Meu reflexo no espelho aponta o dedo para mim e me chama de covarde. Me disseram que estou nessa porque quero, a única coisa que eu não sei é como eu faço para sair dessa bagunça! Como eu faço para parar com esse "querer"?
Eu já tentei fugir fingindo que nada está acontecendo, mas... eu acabei ainda mais enrolada nisso tudo.
O meu silêncio não tem mais nada de Nobre. E agora tudo o que eu tento pensar é como e quando eu cuspirei esse silêncio na cara de quem precisa ouvir! Eu queria dizer tudo sem ser rude, sem ser mal interpretada, mas isso é impossível! Por fim eu desejei apenas dizer, sem me preocupar com o resultado, mas também não consigo.
Eu preciso gritar. Eu preciso ser forte, mas eu perdi minhas forças... nesse silêncio. Nesse Maldito Silêncio.

Alanna Correia

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Ah, Moisés... Eu sei que o texto não é romântico e nem sei se ele ficou bem escrito, mas é que eu realmente precisava gritar qualquer coisa. Quem sabe assim eu não arranje coragem para um dia gritar de verdade o que precisa ser gritado, né? ^.^
PS: Eu NÃO consigo abrir o Nobre do meu pc! Não consigo comentar no post do Moisés e as entidades do mal vão dominar meu pc - depois vão dominar o google e por fim dominarão o mundo.