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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Embriaguez

Vou me embriagando com pequenas felicidades para ver se afogo as grandes mágoas que escondo aqui dentro.
Quem sabe assim o sorriso não vire um hábito e eu acabe me esquecendo de vez de chorar. Afinal, se o sorriso é contagioso bem que ele pode contagiar a mim mesmo. Ou será que ele é que nem catapora? Catapora só se pega uma vez na vida e todo mundo pega. Mas, sabe, eu nunca peguei catapora.
Não sei se vai funcionar, mas que vou continuar bebendo as alegrias, isso vou. Vai que elas enchem o espaço todo e esmaga a dor.
Apesar de que... é bem isso mesmo que elas estão fazendo. Esmagando a dor e deixando cada vez mais pesada. Mas eu não choro mais. Não choro porque vicia. Vou viver de sorrisos, mesmo que alguns não sejam tão sinceros quanto os outros. Se uns contagiarem os outros, acho que acabo sorrindo de vez.
Vai ver é assim que tem ser. Vai ver felicidade é como crediário e você só recebe o comprou no final do pagamento. Você vai pagando devagarzinho até que um dia ela é sua. Sem juros. E sem contrato de fidelidade, parou de pagar, não vão mais te cobrar, mas também ela nunca virá. Quem sabe?
Ningué sabe.
E é por isso que eu vou testar.
Beber alegrias até perder a lucidez.




Alanna Correia
;)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Quase Incompleto




Estava sentada do lado de fora olhando para o céu. Até que não tinha muitas estrelas. Nunca tem na cidade. Mas a luz estava bonita. As pessoas lá dentro conversavam alto e riam bastante. Ela bem que poderia rir. Não estava triste, mas também não estava completo. Parecia que alguém tinha arrumado a árvore de natal e esquecido de colocar a estrela grande na ponta. Ou de ascender as luzes.
Pegou o celular do bolso, rolou alguns da agenda telefônica. Parou em um. Suspirou. Olhou para o céu de novo e pediu por um pouco de coragem. Seria bom se mais alguém se lembrasse dela agora. Mesmo que não fosse pessoalmente. Mesmo que não fosse sério, só dizer oi era o suficiente. Quem sabe as luzes não piscariam?
Olhou de novo o nome marcada, tocou a tecla verde e apertou a vermelha. Se pelo menos soubesse que do outro lado iriam gostar de ouvir sua voz. Achou que seria só mais um incomodo. Era uma noite para se passar em família. Várias horas de reflexão, uma oração antes da ceia e dos abraços cheio de amor. Um amor que não acabaria nem sob mandato. Amor pago com sangue e conectado por laços eternos. Gostando-se ou não.
"É melhor entrar"
Guardou o aparelho de volta no bolso e entrou. Brigou com os primos que estavam colocando o dedo no pudim, recebeu mais conselhos da avó, comentou a maquiagem da tia, ouviu fofocas. Tudo estava lindo. Lindo e incompleto. Faltariam guirlandas?
Meia-noite. Oração, abraços, beijos, comida. Vibração.
Se assustou com o bolso tremendo. Chamada.
- Alô?
- Oi. Feliz Natal.
Sorriso. A estrela no alto da árvore acendeu.
(Alanna Correia)

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Moisés e eu desejamos a todos um
Feliz Natal
^.^

domingo, 14 de março de 2010

NOBRE SILÊNCIO (?)



O mês era setembro, já era a penúltima semana do mês. As flores da primavera já mostravam sua máxima beleza. Eu gostava de ficar sentado ao lado de uma árvore observando a beleza deste período do ano – os pássaros cantando, as formigas trabalhando organizadamente, as pessoas com seus semblantes mais felizes, a leveza do vento, as borboletas com as mais variadas e belas cores em suas asas voando tão próximas de mim a ponto de pousarem em meu dedo, entre outras coisas. Havia uma árvore próxima a minha casa que, a meu ver, era a mais bela de todas e por isso era de baixo de sua sombra que eu gostava de passar as tardes, ora lendo, ora escrevendo, ou mesmo não fazendo nada!

Porém, talvez o que eu mais goste deste mês é o fato de que foi nele que uma das criaturas mais belas que já conheci nasceu. Não sei se a primavera a deixa mais bela ou é ela que faz da primavera uma estação tão especial para mim. E foi nesta estação do ano que percebi o quanto estava ligado a ela.

O fato é que nunca falei o quanto ela significa e talvez eu nunca fale. Sempre que a vejo os sintomas são inevitáveis: meu coração acelera e tenho a sensação de que ele vai saltar pela boca, minhas mãos suam e tenho a impressão de que minhas pernas perdem levemente a firmeza, meus olhos dilatam e brilham, tento disfarçar não olhando fixamente para ela, mas meus olhos me traem e não me obedecem.

Não nos vemos e tampouco nos falamos freqüentemente. Meus amigos me perguntam como é possível, por que eu gosto tanto de alguém que passo tanto tempo sem nenhum contato.

Já pensei em diversas respostas e a verdade é que não há resposta. Quem pode explicar como os sentimentos surgem e como conseguem permanecer?

Mas se eu fosse arriscar um palpite, eu diria que isso se deve a ela. Ela é o tipo de pessoa que você passa um curto período de tempo e já quer transformar este momento em eterno, ela passa a ser tão freqüente no imaginário que, mesmo nos dias que está ausente, ela ainda sim parece presente! Ela vem de maneira tão suave, tão leve, tão doce, tão natural que não é possível perceber o processo, apenas o resultado do seu jeito gentil de ser!

Alguns já me perguntaram por que hesito tanto. E eu invento que é por que... Por que... Por que não é o momento certo, por que não quero assustá-la, por que estou me aproximando aos poucos...

A verdade mesmo é que tenho receio, e não sei quando e nem como ele se instalou, mas ele está tão fincado que já é capaz de bloquear minhas palavras e ações e sempre que aparece a oportunidade eu permaneço inerte enquanto ela se esvai entre meus dedos!

A verdade é que tenho medo de afastá-la de mim, de perder o bom relacionamento que estabelecemos, de perder a nossa amizade. Tenho medo de dizer o que sinto, tenho medo do que possa acontecer. Sei que é um medo tão tolo que chego a sentir embaraço por tê-lo!

Sei que talvez o silêncio não seja a melhor atitude, mas, por hora, me parece ser a única opção!

Enquanto isso, meus mais sinceros sentimentos estarão guardados no mais profundo nobre silêncio. Aliás, será mesmo nobre?



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Outro dia a Alanna postou um poema e na ocasião eu brinquei dizendo que qualquer dia eu postaria uma prosa. Bom, depois de um tempo considerável consegui escrever uma. Espero que gostem!

P.S: As idéias contidas no texto não representam necessariamente a opinião do autor, (eu sempre quis dizer isso! rsrsrs) ou talvez representem. Quem sabe? kkkkkk