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domingo, 13 de junho de 2010

Um Começo?


E lá estávamos nós, sentados, um ao lado do outro. Mas não dizíamos nada. Queria tocá-lo, abraçá-lo. Seria o sentimento recíproco? Quem sabe...
Tão perto, tão próximos. Eu sentia seu braço roçar o meu. No entanto, mesmo tão perto, parecia que havia um abismo entre nós. Me senti tão longe dele. Não conseguia tocá-lo.
"O que está havendo?"
Pensei em dizer Oi, mas isso seria besteira, afinal, já tínhamos nos cumprimentado.
"Será que eu fiz alguma coisa?"
Não sabia o que dizer, não sabia o que pensar, não sabia o que sentir. Alguma coisa estranha passeava pelo meu coração e era fria... Senti medo.
"O que eu estou fazendo?"
Pensei então em perguntar como ele estava...
"Pra quê? Ele vai dizer que está bem e o assunto vai morrer de novo. Por que você não está falando comigo, como sempre?"
Eu não sabia o que fazer!
Não, o silêncio entre nós não era constrangedor. Já passamos por alguns silêncios antes, mas nenhum daquele jeito. Era como se o mesmo laço que nos atava, nos separasse atravessado entre nós. Por que eu estava sentindo aquilo? Daquele jeito?
"Eu... eu..."
Comecei a pensar em como eu estava distante dele. Olhei ao redor procurando uma saída. Eu poderia falar com ele ou simplesmente sair correndo dali, para algum lugar onde a falta de palavras não me incomodasse. Vi que sua mão repousava sobre o assento do banco. Estendi a mão na direção da dele, sorrateira, devagar, sem tirá-la do banco. Meus dedos iam escorregando para algum lugar onde pudessem encontrar os dele. Fazia tudo instintivamente e quase inconsciente. Se não podia falar, talvez desse certo tocar.
Olhei para ele, mas seu olhar estava distante. Olhava para frente distraído como se não quisesse perceber que eu estava ali.
"Por que eu me sinto assim perto dele? Por que ele se tornou tão importante para mim?"
Desisti de estender a mão. Me senti constrangida, tímida. Parei. Naquele momento eu teria raiva se não estivesse tão decepcionada, magoada, triste. Não entendia porque de repente comecei a ter necessidade dele. Eu o queria por perto, eu o queria falando comigo, olhando para mim, pensando em mim do mesmo jeito estranho que eu estava começando a pensar nele. Mas ele não olhava para mim, não falava comigo.
Olhei para frente também, desisti. Aceitei o quer que estivesse acontecendo e fiquei quieta com meus pensamentos e sentimentos bizarros. Estava tentando me distrair dele quando senti algo tocando meus dedos que antes haviam parado no meio do caminho quando tentei tocá-lo.
Mirei a coisa que me tocava e vi a mão dele junto da minha. Tocando a minha. Entrelaçada à minha como se o lugar dela fosse ali, abraçada à minha mão. Senti que o calor voltou a fluir em mim, ele começou em minha mão direita e saiu a passear pelo meu corpo beijando meu coração e fazendo voltas na minha barriga. A aflição feroz que existia em mim antes, foi toda destruída quando o senti pegar minha mão. Eu sorri tímida quando notei que ele sorria para mim e continuamos calados, mas não como antes. Dessa vez o silêncio era muito bem vindo e ele era o que permitia que nossas mãos conversassem, era o acalento para o meu coração. Dessa vez nossos olhos se encontraram e conversaram assim como nossas mãos e nossos corações começaram a bater no mesmo ritmo.
Por que um ato tão bobo, tão simples, fez com que eu me sentisse daquele jeito? O que estava acontecendo afinal? No que aquilo tudo poderia se transformar?
Eu nem fazia idéia, mas talvez ele pudesse me explicar.


Alanna Correia

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Experimentando

“Quando esta lágrima que pende de teus olhos cair, para onde ela vai?”
Observou atentamente a pessoa em sua frente. Joelhos no chão, mãos entrelaçadas em frente ao coração, cabeça baixa, olhos fechados. Seus lábios se mexiam como se estivessem falando, embora não se ouvisse nenhum som saindo deles.
“Quando a pessoa com quem falas em silêncio te ouvir, o que farás?”
O salão era amplo e, apesar de se ver muitas lâmpadas no teto, a maioria estava apagada, o que dava um ar doce e tranquilo ao ambiente. Se tivesse que escolher uma palavra apenas para defini-lo seria aconchegante. Enormes bancos de madeira se estendiam ocupando quase toda a área do lugar deixando apenas um corredor bem a centro que ligava a enorme porta de entrada ao altar.
“Quando os sussurros que falas forem ditos, para onde irás?”
Em cima do altar havia alguns arranjos de flores que davam uma cara menos séria ao lugar e um púlpito transparente bem ao centro erguia-se imponente e sem arrogância como se estivesse pronto para dar início a um discurso. A cima do púlpito, descansava um grande livro de capa preta com letras douradas, que não podiam ser lidas de onde se estava, apesar de que praticamente todos sabiam exatamente de que livro se tratava.
“Quando tuas mãos se soltarem, o que farás com elas?”
Tudo estava silencioso e as flores ofereciam um aroma leve e agradável ao lugar. As paredes eram lisas e pintadas até a metade com algum tipo de textura artística. A pessoa continuava na mesma posição de antes e ainda falando coisas que não se podiam serem ouvidas.
“Com quem falas e por quê? Se falas tão baixo assim, como sabes que podem te ouvir? Não seria inútil conversar sozinho com os olhos fechados e tão baixo?”
Apesar da nítida clareza do ambiente, ele não entendia o que acontecia ali. Olhou para o livro preto que repousava sobre o púlpito.
“Só descobrimos o gosto de algo se provarmos...”
Ele fechou os olhos e respirou fundo.
“E agora o que faço?”
Espiou a pessoa da frente que continuava convicta com seu aparente monólogo silencioso. Fechou os olhos novamente e tentou se encontrar, se conectar, talvez até conversar as mesmas coisas – ou com a mesma pessoa – que sempre ouvira a respeito. Agora ele podia ver alguma coisa que ele não sabia o que era. Ele havia fechado os olhos, mas ao invés da escuridão trazida pelo cerrar das pálpebras, o que ele viu foi uma luz. Era quente e não queimava, era forte e não ofuscava. Ele tocou a face e percebeu que chorava. Chorava tudo o que havia preso e perdido dentro dele por causa de seus próprios atos.
“Como é possível conversar com o que não existe?”
Ele abriu os olhos finalmente, secou o rosto. Estava leve. Seu corpo estava leve como se não tocasse o chão, sua cabeça estava tão calma, sua respiração não doía-lhe mais e seus joelhos ainda estavam no chão. Ele mirou a pessoa que falava sozinha e ela já não estava mais ajoelhada, estava sentada ao seu lado com um sorriso terno nos mesmos lábios que conversavam com ninguém. Ele sorriu de volta para ela como há muito tempo não conseguia sorrir.
“E depois que se fala com quem não existe, depois de se acreditar no que não é real, depois de sentir o que não tem forma, depois de tudo isso, como posso continuar dizendo que nada existe? O único jeito de se saber o sabor é experimentando.”
Quando a lágrima que pendia de seus olhos caísse, ele sabia que poderia recomeçar com a vida, deixar o passado para trás e construir um novo presente.

Alanna Correia
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Passei bastante tempo para conseguir escrever alguma coisa e no fim acho que o texto ficou um pouco grande, mas foi o que consegui. Sinto muito se não gostarem. Eu sei que não é emocionaaaaaante e tudo mais, mas eu até que gostei dele :)
Tudo de bom para todos e até mais.
_o/

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Para Sempre


 Estava deitado em minha cama e não consegui conter as lágrimas que rolavam de meus olhos. Meu coração doía... era um dor pequena, intensa e sufocante, cortante, constante... ela apertava tão lentamente meu coração que eu já não podia dizer a quanto tempo eu a sentia. Apertei ainda mais o travesseiro contra o rosto como se ele pudesse afagar minha cabeça, me consolar até que eu caísse no sono e, pode até ser que ele tenha tentado, mas não conseguiu, pois eu continuei ali chorando sem querer entender, aceitar o que tinha acontecido.
Eu, que já havia convivido com  a solidão antes, de repente tive pânico da presença dela. Eu estava sozinho. Ninguém que me pudesse abraçar, fazer companhia ou pelo menos me dizer que tudo ficaria bem, cedo ou tarde. Os dedos que se entrelaçavam aos meus, não faziam mais companhia às minhas mãos, os olhos que completavam o brilho dos meus não brilhavam mais, o sorriso que me trazia alegria não sorria mais... Tudo estava vazio... A voz dela, vinda de outro cômodo da casa, não invadia mais o quarto, as conversas silenciosas não seriam mais olhos nos olhos. Eu que sempre fui tão independente, nunca me senti tão dependente antes... tão frágil... E agora o que eu faria? Como seriam os meus dias? Como eu poderia dormir sem tê-la ao meu lado? Como eu suportaria ver tudo se transformando em apenas memórias?
Pedi a Deus que me devolvesse... disse para Ele que Ele estava sendo egoísta por tê-la tirado de mim, afinal eu provavelmente precisava mais dela do que Ele.
- Por que você a tirou de mim? Deus, por que você a tirou de mim? Por que você não a deixou por aqui mais um pouco? Por quê?
Penso agora, que aquele que criou o Adeus, nunca teve a necessidade de dizê-lo, porque se o tivesse tido, com certeza, teria apagado a própria criação.
Nada naquela noite me confortou... nenhuma luz me trouxe esperança, nenhuma chama aqueceu meu coração, nenhuma canção me acalmou...
Eu sabia que em algumas horas amanheceria e eu teria que terminar de arrumar as coisas do velório... eu teria que enterrá-la... eu teria que me despedir da minha amada... para sempre.

Alanna Correia

quarta-feira, 10 de março de 2010

Um Pouco Mais de Silêncio


Pergunto-me então onde deixei aquelas palavras. Sei que elas estavam na ponta da língua, lutando para sair e ganhar vida. Aquele sorriso que tanto admiravam está estampado no mesmo rosto e da mesma maneira que antes de todos aqueles problemas. Aquele desdém curioso ainda espia de dentro daqueles olhos cheios de vida. O calor, a voz, a presença, tudo está do mesmo jeito que deixei menos aquelas palavras. Aquelas palavras, aquelas que escolhi cuidadosamente, elas não sei onde deixei. As palavras que eu diria quando me perguntassem “Está tudo bem?”, ou aquelas outras que reservei para dizer quando o silêncio se instaurasse no ar. Perdi as palavras que eu deveria dizer quando me dissessem “eu gosto de você” e aquelas que guardei para dizer na hora que me dissessem “até mais” assim como perdi aquelas que se usam antes ou depois que se diz “estou com saudades”. Perdi todas as palavras que queria dizer. Esqueci onde deixei todas as palavras que eu guardei com cuidado esperando pelo momento ideal em que eu poderia dizê-las. E agora diante deste silêncio que se instaurou entre nós, agora diante desse incômodo que este silêncio trouxe, eu já não tenho mais nada a dizer. Nada para quebrar o silêncio, além de mais um pouco de silêncio.


Alanna Correia