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quarta-feira, 24 de março de 2010

Desculpa



Me perdoa por eu não ter aberto a porta aquele dia. Me perdoa por não atendido o telefone, e por não ter respondido seus recados. Me perdoa por ter te mandado embora e por todas aquelas coisas que eu disse. Eu ouvi quando você cantou, ouvi quando você me contou seus sentimentos através da porta, eu chorei quando ouvi você caindo no chão aos prantos. Me perdoa por não ter te abraçado forte aquele dia e me perdoa por ter te deixado só naquele lugar. Perdão por eu não ter dito o que eu sentia de verdade por você. Perdão por não te entender como você queria e merecia. Eu sempre me achei pouco demais para você e a única coisa que eu fazia era me esforçar para que você pensasse que eu era o suficiente para você, mas você nunca se importou com isso, não é? Para você eu sempre fui bom o suficiente, eu era apenas o que você queria. Eu lutei tanto para ser melhor, que me tornei alguém que você odiou. E eu sei que você percebeu isso. Eu fui inseguro e por não querer te dizer isso acabei te afastando de mim. Me perdoa por não ter te contado tudo o que eu sentia, quando você me pediu uma resposta. Eu tive medo de me perder em você. Quando você me olhava com aquele olhar triste, tudo o que eu pensava era que aquilo era culpa minha. Eu te causava toda aquela dor por não me aceitar do jeito que eu sou, por querer te alcançar, por simplesmente não entender o que você queria. Você não queria um super herói, você não queria alguém de quem se orgulhar, você não queria status, nem inteligência, nem força, você só me queria por perto, do jeito que eu era antes, mas eu não percebi isso há tempo. Me perdoa por eu nunca ter aprendido a te amar?


Alanna Correia
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Tempos sem atualizar. Quis escrever um texto mais simples e não sei se tá entedível. Acho que ficou meio estranho e rosa demais. Haha!
Paz.

domingo, 14 de março de 2010

NOBRE SILÊNCIO (?)



O mês era setembro, já era a penúltima semana do mês. As flores da primavera já mostravam sua máxima beleza. Eu gostava de ficar sentado ao lado de uma árvore observando a beleza deste período do ano – os pássaros cantando, as formigas trabalhando organizadamente, as pessoas com seus semblantes mais felizes, a leveza do vento, as borboletas com as mais variadas e belas cores em suas asas voando tão próximas de mim a ponto de pousarem em meu dedo, entre outras coisas. Havia uma árvore próxima a minha casa que, a meu ver, era a mais bela de todas e por isso era de baixo de sua sombra que eu gostava de passar as tardes, ora lendo, ora escrevendo, ou mesmo não fazendo nada!

Porém, talvez o que eu mais goste deste mês é o fato de que foi nele que uma das criaturas mais belas que já conheci nasceu. Não sei se a primavera a deixa mais bela ou é ela que faz da primavera uma estação tão especial para mim. E foi nesta estação do ano que percebi o quanto estava ligado a ela.

O fato é que nunca falei o quanto ela significa e talvez eu nunca fale. Sempre que a vejo os sintomas são inevitáveis: meu coração acelera e tenho a sensação de que ele vai saltar pela boca, minhas mãos suam e tenho a impressão de que minhas pernas perdem levemente a firmeza, meus olhos dilatam e brilham, tento disfarçar não olhando fixamente para ela, mas meus olhos me traem e não me obedecem.

Não nos vemos e tampouco nos falamos freqüentemente. Meus amigos me perguntam como é possível, por que eu gosto tanto de alguém que passo tanto tempo sem nenhum contato.

Já pensei em diversas respostas e a verdade é que não há resposta. Quem pode explicar como os sentimentos surgem e como conseguem permanecer?

Mas se eu fosse arriscar um palpite, eu diria que isso se deve a ela. Ela é o tipo de pessoa que você passa um curto período de tempo e já quer transformar este momento em eterno, ela passa a ser tão freqüente no imaginário que, mesmo nos dias que está ausente, ela ainda sim parece presente! Ela vem de maneira tão suave, tão leve, tão doce, tão natural que não é possível perceber o processo, apenas o resultado do seu jeito gentil de ser!

Alguns já me perguntaram por que hesito tanto. E eu invento que é por que... Por que... Por que não é o momento certo, por que não quero assustá-la, por que estou me aproximando aos poucos...

A verdade mesmo é que tenho receio, e não sei quando e nem como ele se instalou, mas ele está tão fincado que já é capaz de bloquear minhas palavras e ações e sempre que aparece a oportunidade eu permaneço inerte enquanto ela se esvai entre meus dedos!

A verdade é que tenho medo de afastá-la de mim, de perder o bom relacionamento que estabelecemos, de perder a nossa amizade. Tenho medo de dizer o que sinto, tenho medo do que possa acontecer. Sei que é um medo tão tolo que chego a sentir embaraço por tê-lo!

Sei que talvez o silêncio não seja a melhor atitude, mas, por hora, me parece ser a única opção!

Enquanto isso, meus mais sinceros sentimentos estarão guardados no mais profundo nobre silêncio. Aliás, será mesmo nobre?



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Outro dia a Alanna postou um poema e na ocasião eu brinquei dizendo que qualquer dia eu postaria uma prosa. Bom, depois de um tempo considerável consegui escrever uma. Espero que gostem!

P.S: As idéias contidas no texto não representam necessariamente a opinião do autor, (eu sempre quis dizer isso! rsrsrs) ou talvez representem. Quem sabe? kkkkkk

quarta-feira, 10 de março de 2010

Um Pouco Mais de Silêncio


Pergunto-me então onde deixei aquelas palavras. Sei que elas estavam na ponta da língua, lutando para sair e ganhar vida. Aquele sorriso que tanto admiravam está estampado no mesmo rosto e da mesma maneira que antes de todos aqueles problemas. Aquele desdém curioso ainda espia de dentro daqueles olhos cheios de vida. O calor, a voz, a presença, tudo está do mesmo jeito que deixei menos aquelas palavras. Aquelas palavras, aquelas que escolhi cuidadosamente, elas não sei onde deixei. As palavras que eu diria quando me perguntassem “Está tudo bem?”, ou aquelas outras que reservei para dizer quando o silêncio se instaurasse no ar. Perdi as palavras que eu deveria dizer quando me dissessem “eu gosto de você” e aquelas que guardei para dizer na hora que me dissessem “até mais” assim como perdi aquelas que se usam antes ou depois que se diz “estou com saudades”. Perdi todas as palavras que queria dizer. Esqueci onde deixei todas as palavras que eu guardei com cuidado esperando pelo momento ideal em que eu poderia dizê-las. E agora diante deste silêncio que se instaurou entre nós, agora diante desse incômodo que este silêncio trouxe, eu já não tenho mais nada a dizer. Nada para quebrar o silêncio, além de mais um pouco de silêncio.


Alanna Correia

domingo, 28 de fevereiro de 2010

AOS 17


Bom, como quinta-feira é meu aniversário(vou completar 20 anos! *_*), eu pensei em postar este poema por que eu o escrevi no meu aniversário de 17 anos e mesmo depois de três anos eu ainda acredito na ideia que ele trás. Espero que gostem!

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À véspera de ser reconhecido pelo Estado

Como responsável pelos meus próprios atos,

Como se eu já não o fosse,

Aprendi uma difícil, porém sábia lição.



Não se pode viver de sonhos, mas se pode viver para os sonhos

A consciência crítica e realista

Não impede o indivíduo de lutar por aquilo que acredita

Se não fosse viável viver para os sonhos

A vida não alcançaria seu sentido inerente.



Afinal é intrínseco ao ser humano buscar, não o sentido da vida,

Mas o sentido de sua vida

Tentando sempre ser algo mais do que já se é através de seus sonhos

Todas as grandes descobertas da humanidade

Só foram possíveis por que o ser humano sonhou alcançá-las
Diante dessa verdade irredutível

A busca de realizar meus sonhos será o sentido da minha vida.

(Moisés Wesley)


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Caixa de Sapatos





Fazia tempo que Vitória não mexia nas coisas velhas do sótão. Na verdade, ela nunca podera. Trabalhava demais e o pouco que tempo que passava em casa estava sempre ao telefone negociando as próximas vendas. Agora, aposentada, decidiu fazer um limpeza no local. 


Com o peso do estresse de uma vida de empresária em suas pernas, subiu devagar as escadas que davam ao sótão e começou a olhar as coisas antigas e empoeiradas que estavam por lá até que, finalmente, seus olhos pararam numa caixa de sapatos rosada que estava no chão. Lembrava-se daquela caixa. Era onde ela própria guardava algumas lembranças 


Vitória então pegou a caixa e a abriu. Para sua surpresa não eram as coisas dela que estavam ali. "De quem serão então?" pensou. 


Dentro haviam algumas fotos de sua família que ela nunca tinha visto antes. Olhou uma por uma e sentiu a saudade passeando pelos seus olhos, sua mente, seu coração. "Onde eu estava quando essas fotos foram tiradas?" Vitória não lembrava de nenhuma delas. Achou também, junto com as fotos, uma agenda telefônica que perdera há vinte anos, algumas cartas e um broche. Uma das cartas remetia-se a ela, abriu-a e leu: 
"Querida mãe, como hoje é seu aniversário, comprei-lhe um broche, espero que goste. Obrigada pela caixa de sapatos rosa, é muito bonita e prometo guardar nela só as coisas mais importantes pra mim. Desculpe por pegar sua agenda telefônica, mas é que eu achei que assim você poderia passar esse dia comigo e não trabalhar. Feliz aniversário! Te amo, mãe!" 
Vitória nunca ganhara o broche, tampouco a carta. É provável que naquele dia tenha ido trabalhar. 
Então, com os olhos úmidos e 56 anos de vida perdida, ela fecha a caixa e desce as escadas.


Alanna Correia

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Esse texto é bem velhinho já, mas eu gosto tanto dele, apesar de ser meio triste. Eu o escrevi como exercício de Redação. O professor mandou a gente fazer um texto narrativo com o tema "caixa de sapatos, fotografias, agenda telefônica, cartas e broche" e esse texto foi o meu. Haha!
Felicidades para todos!
_o/

domingo, 7 de fevereiro de 2010

CORAÇÃO FISIOLOGICAMENTE SENTIMENTAL


Durante uma aula de Anatomia sobre o funcionamento do coração eu fiquei fascinado sobre seu mecanismo e quis escrever um poema. Porém só agora consegui elaborá-lo. A minha ideia original seguia outra vertente (algo mais romântico), mas com o desenrolar das escrita o poema acabou tendo outra linha estrutural (algo mais melancólico). No fim do poema eu coloquei notas de rodapé com o significado de algumas palavras. Bom, é isso!

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Penso em como meu coração funciona,

Tão dotado de altruísmo, é capaz

De suprir as necessidades de todo o corpo

Com artérias calibrosas atende às estas necessidades

E com artérias de pequeno calibre supre as suas.


Cheio de sangue e de sentimento

Recebe os restos imprestáveis de meus outros órgãos

E rege o processo que substituirá tais restos

Por moléculas úteis a todos eles.


Fisiologicamente tão sentimental

Irriga os mais profundos anseios

Oxigena a imaginação

E nutre o amor!


Constantemente ferido

E nem mesmo eu,

Que o possuo,

Tenho o cuidado de preservá-lo!


Absorto em amores desmedidos

Esqueço de quão prejudicial isto é

Para mim e para ele,

As conseqüências disto serão fatais!


Um amor me consome agora,

A cada passo que dou em sua direção

O punhal da indiferença se aprofunda em meu coração sentimental

Bombeando sangue ao meu corpo já de maneira ineficaz

Meu coração sente o fardo desta ferida


E dos meus atos impensados.

A minha visão já começa a embaçar

O punhal já atravessou meu coração

E dilacerou a aorta

A hemorragia de tristeza é inevitável.


Não há mais diapedese das células amorosas

Sangue e sentimento se misturam

Vazam entre as cavidades

E vão me abandonando pouco a pouco!


Quando o nó sinoatrial não receber mais impulsos elétricos

E por isso meu coração já não tiver forças,

Sístole não mais existir

E a pressão sangüínea já não for suficiente

E os meus órgãos principiarem a falecer

O que fará meu amor?


Quando meu corpo já desfalecido

Cair inerte no chão

O que sentirá meu amor?


Quando a palidez dominar minha face

E o calor deixar meu corpo

E eu me tornar rígido

E quando eu, finalmente, morrer de amor

O que aquela a quem meu sentimento designa, dirá?


Ah, estas desventuras...

De todos os tipos de morte

Não poderia eu outra desejar

Do que a morte por amar,

Antes morrer de amor

Do que por nada!


(Moisés Wesley)


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Notas de rodapé:

- Aorta: artéria de maior calibre do corpo humano, um dano nesta artéria pode acarretar um grande risco de morte;
- Diapedese: passagem das células da corrente sanguinea para os tecidos, muito importante para a defesa do organismo através do sistema imune;
- Nó sinoatrial: região do coração responsável por receber e distribuir os impulsos elétricos por todo o coração, estes impulsos estimulam a contração do coração fazendo com que o sangue seja bombeado para o corpo;
- Sístole: movimento de contração do coração.


P.S: Renata, se eu tiver me equivocado em alguma dessas definições não deixe de me corrigir, tá? ^^