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domingo, 7 de fevereiro de 2010

CORAÇÃO FISIOLOGICAMENTE SENTIMENTAL


Durante uma aula de Anatomia sobre o funcionamento do coração eu fiquei fascinado sobre seu mecanismo e quis escrever um poema. Porém só agora consegui elaborá-lo. A minha ideia original seguia outra vertente (algo mais romântico), mas com o desenrolar das escrita o poema acabou tendo outra linha estrutural (algo mais melancólico). No fim do poema eu coloquei notas de rodapé com o significado de algumas palavras. Bom, é isso!

__________________________________________________________


Penso em como meu coração funciona,

Tão dotado de altruísmo, é capaz

De suprir as necessidades de todo o corpo

Com artérias calibrosas atende às estas necessidades

E com artérias de pequeno calibre supre as suas.


Cheio de sangue e de sentimento

Recebe os restos imprestáveis de meus outros órgãos

E rege o processo que substituirá tais restos

Por moléculas úteis a todos eles.


Fisiologicamente tão sentimental

Irriga os mais profundos anseios

Oxigena a imaginação

E nutre o amor!


Constantemente ferido

E nem mesmo eu,

Que o possuo,

Tenho o cuidado de preservá-lo!


Absorto em amores desmedidos

Esqueço de quão prejudicial isto é

Para mim e para ele,

As conseqüências disto serão fatais!


Um amor me consome agora,

A cada passo que dou em sua direção

O punhal da indiferença se aprofunda em meu coração sentimental

Bombeando sangue ao meu corpo já de maneira ineficaz

Meu coração sente o fardo desta ferida


E dos meus atos impensados.

A minha visão já começa a embaçar

O punhal já atravessou meu coração

E dilacerou a aorta

A hemorragia de tristeza é inevitável.


Não há mais diapedese das células amorosas

Sangue e sentimento se misturam

Vazam entre as cavidades

E vão me abandonando pouco a pouco!


Quando o nó sinoatrial não receber mais impulsos elétricos

E por isso meu coração já não tiver forças,

Sístole não mais existir

E a pressão sangüínea já não for suficiente

E os meus órgãos principiarem a falecer

O que fará meu amor?


Quando meu corpo já desfalecido

Cair inerte no chão

O que sentirá meu amor?


Quando a palidez dominar minha face

E o calor deixar meu corpo

E eu me tornar rígido

E quando eu, finalmente, morrer de amor

O que aquela a quem meu sentimento designa, dirá?


Ah, estas desventuras...

De todos os tipos de morte

Não poderia eu outra desejar

Do que a morte por amar,

Antes morrer de amor

Do que por nada!


(Moisés Wesley)


_____________________________

Notas de rodapé:

- Aorta: artéria de maior calibre do corpo humano, um dano nesta artéria pode acarretar um grande risco de morte;
- Diapedese: passagem das células da corrente sanguinea para os tecidos, muito importante para a defesa do organismo através do sistema imune;
- Nó sinoatrial: região do coração responsável por receber e distribuir os impulsos elétricos por todo o coração, estes impulsos estimulam a contração do coração fazendo com que o sangue seja bombeado para o corpo;
- Sístole: movimento de contração do coração.


P.S: Renata, se eu tiver me equivocado em alguma dessas definições não deixe de me corrigir, tá? ^^


5 comentários:

Renata Chiletto disse...

=O

Eu achei isso perfeito, ainda mais o final, realmente mudou de algo romântico a melancólico. Eu adorei isso *-*

As definições estão certinhas, mas eu não entendi o q vc quis dizer com isso:
"Cheio de sangue e de sentimento
Recebe os restos imprestáveis de meus outros órgãos
E rege o processo que substituirá tais restos
Por moléculas úteis a todos eles."

O coração ele só bombeia o sangue, só e apenas isso. O pulmão é responsavel por substituir o gás carbônico por oxigênio e o coração manda o sangue oxigenado para o resto do corpo, então o coração provê alimento às células. Os "restos" q vc se refere se for o CO2 estaria certo dizer q é o coração, mas se for outra coisa, como restos de moléculas e de qualquer coisa, seria um trabalho para o rim, pq o rim é responsável por filtrar o sangue e enviá-lo novamente para os vasos e assim para o coração.
O coração provê o suprimento sanguíneo pq ele é que bombeia o sangue 'bom' e 'ruim', foi isso q vc quis dizer?

^^

O funcionamento do corpo humano não é lindo? *-*

Moisés Wesley disse...

Foi isso que eu quis dizer mesmo. Quando eu escrevi "Recebe os restos imprestáveis de meus outros órgãos
E rege o processo que substituirá tais restos
Por moléculas úteis a todos eles." eu me referia ao fato do coração receber o sangue "ruim" e o encaminhar para os orgãos que são responsáveis por tranformar este sangue em "bom"(pulmão e rins) e depois o coração recebe este sangue "bom" e bombeia para todo o corpo. Eu disse que ele regia este processo porque ele é que direciona o sangue "ruim" e "bom". ^^
Fiquei feliz que vc tenha gostado do poema!
O funcionamento do corpo humano, com certeza, é muito lindo!!! _O/\O_

Alanna disse...

Esse poema me lembrou Augusto dos Anjos. Eu sei que ele nem chega perto da tristeza extrema e do alto pessimismo dele, mas sei lá, me fez lembrar dele.
Augusto dos Anjos gostava de coisas técnicas em seus poemas. ^^
E eu gostei do poema. Acho interessante misturar um pouco de ciência com os sentimentos. Paradoxo.
Ahá! =)

David disse...

"Cheio de sangue e de sentimento
Recebe os restos imprestáveis de meus outros órgãos ".

ah os nossos olhos...! rs

meu brother sou teu fã incondicional!

Moisés Wesley disse...

- Muito obrigado, Alanna!
Fiquei feliz por meu poema te lembrar Augusto dos Anjos! ^^

- David, muito obrigado! Achei muito interessante a sua interpretação em relação à origem dos restos imprestáveis que o coração recebe dos outros órgãos!

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